quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Análise : Ghost in the Shell - Stand Alone Complex



Nome : Ghost in the Shell : Stand Alone Complex
Ano : 2002
Diretor : Kenji Kamiyama
Estúdio : Production I.G.
Número de Episódios : 26
Duração : 25 min


"Seção 9"
Bom Dia leitores do AMHQ ! Hoje iremos falar sobre uma franquia que atingiu bastante sucesso após o lançamento do filme "Ghost in the Shell" (1995), que seguia o manga de mesmo nome escrito por Masamune Shirow. 

Com uma recepção excelente e um sucesso nas críticas, o filme de 95 se tornou um clássico dos animes, pela sua complexidade, filosofia e roteiro, três fatores balanceados por uma animação de primeira qualidade. 

Prosseguindo este sucesso, em 2002 foi lançado "Ghost in the Shell : Stand Alone Complex".   Mesmo possuindo este nome, o anime não é uma sequência direta do filme, e sim um novo rumo para os personagens e história, que se passa em uma realidade alternativa.




O anime se passa no ano de 2030, e acompanha os membros da "Seção 9", um departamento de inteligência do Departamento Federal do Interior japonês (Segurança Interna). Com o avanço da tecnologia, é cada vez mais comum a modificação corporal por partes de robôs, assim como a transformação do cérebro em um "cyber-cérebro". 

A "Seção 9" é comandada por Daisuke Aramaki, um expert em estratégias militares com muita influência entre a alta chefia dos ministérios japoneses, além de possuir um senso de justiça fortíssimo e um respeito mútuo com todos os seus subordinados.

Dentre os membros, podemos dar maior destaque para a Major Motoko Kusanagi, a líder de esquadrão do grupo que possui um corpo totalmente modificado e uma grande habilidade tática e reflexiva. Seu passado é um mistério, e tudo o que sabemos é que ela nutre um carinho especial por um velho relógio de prata feminino.



Também temos Batou, parceiro da Major, que também tem um corpo inteiramente transformado em cyborg, e Togusa, o único que possui apenas um cyber-cérebro com um corpo humano normal.

Cada personagem é trabalho individualmente no anime, conforme acompanhamos as missões designadas a eles, assim como quando agem em grupo em tarefas militares. 

Acompanhamos um caso em especial que percorre todos os 26 episódios, que é apelidado de "Caso do Homem-Risonho", em que um Hacker Classe A+ fez de refém um CEO de uma grande empresa de micro-máquinas. Após isso, inúmeros casos de chantagem para grandes corporações foram catalogados, e todos atribuídos a esta misteriosa pessoa...


"Homem-Risonho"
Trilha Sonora :

A encarregada pela composição foi Yoko Kanno, e devo dizer que fiquei muito impressionado pela singularidade da obra. 

No começo estranhei bastante, já que as músicas fogem do padrão utilizado por outros animes, mas conforme os episódios foram passando, percebi que o efeito fora bastante profundo, e as composições realmente encaixam perfeitamente no anime.

A música de abertura é "Inner Universe", que consiste numa mistura de Russo, Inglês e Latim, e que desde o começo mostra que o anime é diferente dos demais, mas a mistura acabou se tornando, em minha opinião, um pouco exagerada e desorganizada.

O encerramento se chama "Lithium Flower", uma música que puxa mais para o lado do Rock e do Grunge, e que eu gostei muito. Com certeza faz parte do meu acervo pessoal agora.

Em baixo vou deixar a abertura e o encerramento respectivamente para vocês !





Animação :

A animação de "Ghost in the Shell : Stand Alone Complex" é de primeiríssima linha. Os traços dos personagens são constantes, as cenas de ação não perdem qualidade em nenhum momento e a definição da imagem é perfeita.

Não tenho muito o que falar sobre, mas acho que cabe ressaltar sobre a abertura em CG, que não me agradou nenhum pouco, mas, como em 2002 a CG não estava na sua melhor fase, acredito que dê para deixar passar esta.



Enredo :

Aqui está o maior responsável para a qualidade e originalidade de Ghost in the Shell : sua história. O enredo apesar de extremamente complexo, prende a atenção e mantém o espectador curioso e ansioso pelo seu desenvolvimento.

Mesmo tendo alguns episódios que pecam um pouco em manter a linearidade do desenvolvimento do roteiro, podemos conhecer um pouco mais sobre a história de personagens em destaque no momento, assim como se prestarmos maior atenção em certos detalhes, mais informações sobre o mundo em que se passa o anime.

As filosofias e metáforas que estão presentes na obra são bem contemporâneas, e refletem na nossa realidade atual, assim como as reflexões sobre as AI (Inteligência Artificial) e os Ghosts (Consciência Individual). Acredito que agora seja o momento ideal para se falar um pouco mais sobre o nome do anime : "Stand Alone Complex". 


"SAC" é um fenômeno similar a quando após alguns incidentes causados por serial killers, aparecem comportamentos cópia do "modus operandi" apresentado. Ou seja, é quando algo 'chama a atenção' de certos indivíduos em particular, e causam uma reação em cadeia. A única diferença do "SAC" é que não há o incidente ou pessoa que originou a corrente, mas apenas um rumor do ocorrido, que apenas existe na mente do público.

O resultado do acontecimento é uma epidemia de padrões de comportamento que não tem propósito algum, causando uma histeria sobre nada, mas mesmo assim mudando as estruturas sociais seguindo um paradigma inexistente de contextos criados em consciências individuais que após participarem do padrão, acabam criando um inconsciente coletivo de existência.

Poderíamos também falar sobre os "Tachikoma", robôs tanques que possuem uma AI evoluível, e que durante a série começam a apresentar mudanças de comportamento robotizado, e acabam se aproximando do que nós consideramos como : personalidade e consciência própria. Mas, deixaria a questão para quem assistir a série, e irei abordá-la quando analisar a segunda temporada : Ghost in the Shell : Stand Alone Complex 2nd Gig.

Encerro aqui a análise, que ficou bem grande por sinal, e dou minha nota final do anime !

NOTA FINAL : 8,5/10


0 comentários:

Postar um comentário